Personagem: Júlio Mesquita

Júlio César Ferreira de Mesquita, nasceu em Campinas, em 18 de agosto de 1862, filho de pai e mãe portugueses. O seu batistério registra o nascimento do fundador deste ramo brasileiro de Mesquitas e do jornalista que deu timbre ao “O Estado de S. Paulo”: “Júlio: aos vinte e dois dias do mes de septembro de mil e oitocentos e sessenta e dois, na Matriz desta cidade de Campinas, o Reverendo Coadjutor Sabato Antonio de Luca baptisou e poz os Santos oleos a Julio, de trinta dias, filho de Francisco Ferreira Mesquita e d. Maria da Conceição Ferreira Mesquita. Foram padrinhos Antonio Julio Ferreira Mesquita e Maria Ferreira Mesquita” (Livro 09, do Registro de Batizados da Catedral, folha 87 v-88).

Há também um mistério neste batizado, pois foi descoberto por Mário Pires, outro batistério de Júlio de Mesquita, afirmando que o mesmo teria se batizado um ano antes, em Santa Bárbara. O pesquisador campineiro sugere duas hipóteses para tal fato. Este registro anterior teria sido forjado para se matricular na Faculdade de Direito, antes da idade requerida, ou, transcrevendo textualmente outra conjectura: “…Os Mesquitas seriam de origem israelita, ou cristãos novos.

A ser verdadeira a alegação, talvez pudesse explicar em parte o mistério dos dois registros, com elementos da família interessados em despistar ou encobrir a verdade dos fatos, a fim de não encontrarem resistências no meio social onde viviam” A única aproximação conhecida de Júlio de Mesquita e o Judaísmo, foi a “leitura assídua da História do Povo de Israel”- como lembrou o filho, herdeiro e consagrador do nome, que “seria decisiva para a formação de sua personalidade cultural”.

Com a idade de 3 anos foi para Portugal com seus pais, onde fez os primeiros estudos. Regressando, estudou em Campinas, nos colégios Morton e Culto à Ciência.

Estreou nas letras com o conto “Um lindo Natal”, publicado no “Almanaque Popular” de Campinas, em 1877.

Foi apoiado por sua família em seus estudos. Formou-se pela escola do Largo de São Francisco em Direito, em 1883.

O certo é que Júlio de Mesquita casou-se com uma jovem pertencente ao patriciado cafeicultor paulista, Lucila de Cerqueira César, filha do senador José Alves de Cerqueira César (S. Paulo, 1835 – S. Paulo, 1911), vice-governador do estado bandeirante, e de Maria do Carmo Salles, irmã de Manuel Ferraz de Campos Salles, presidente da República, tetraneta de Francisco Barreto Leme, o fundador de Campinas.

O casal Júlio César e Lucila teve doze filhos: Ester, Rachel, Rute, Maria, Júlio, Francisco, Sara, Judite, Lia, José, Suzana e Alfredo Mesquita.

Deixou a carreira de advogado tomado por uma intensa paixão: o jornalismo e a política. A trajetória política deu início quando foi eleito vereador em Campinas, seguido pelo cargo de secretário do primeiro governo provisório republicano de São Paulo. Foi deputado à Constituinte paulista, senador estadual e deputado federal.

Mesquita gerenciou o jornal A Província que, outrora fora fundado por adeptos do partido Republicano Paulista. O impresso tinha uma edição de quatro mil exemplares. Porém, não era conhecido fora do território paulista. Nas mãos de Mesquita, o órgão ganhou importância nacional, sendo conhecido também pelo maior parque gráfico.

Júlio de Mesquita assumiu em 1891 a direção de “O Estado de São Paulo”, dando início a dinastia que hoje controla o jornal e também a empresa.

No ano de sua morte, 1927, aos 65 anos de idade, o jornal sobrepujava os 60 mil exemplares diários. Mesquita julgou prudente, romper relações com o governo Campos Salles – parente de sua esposa, Lucila Cerqueira César. A decisão desagradou os acionistas do jornal. Investiu na compra de suas participações e passou a ser “publisher” do veículo.

Orgulhava-se, pois, agora o jornal seria como sempre sonhara: livre, sem qualquer vinculo partidário. E mais do que nunca, democrático.

Nas páginas do Estadão vinculavam seus ideais. Apresentou a todos os leitores os vícios da “política dos governadores”, repreendeu o caudilhismo, era a favor do voto livre e apontou a instrução pública como único meio pelo qual a democracia poderia ser consolidada. Integrou-se a campanha civilista de Ruy Barbosa, “devoto” de Olavo Bilac, apontou os erros contidos nas oligarquias. Com grande exaltação foram propagados nacionalmente seus comentários políticos. Em 1924, durante a revolução, Mesquita foi preso e a circulação do jornal suspensa.

Em 1902, era editor da série de reportagens de Euclides da Cunha sobre a Guerra de Canudos, que traria a grande obra Os Sertões, “best-seller” da literatura brasileira.

Problemas pulmonares o levaram ao afastamento de suas atividades. Vindo a falecer em São Paulo, à 15 de março de 1927.

Seu nome é uma das principais avenidas do Bairro Cambuí. Tendo ao longo da mesma um monumento em sua homenagem.

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